terça-feira, 8 de dezembro de 2015

O outro lado

Ao lado do outro lado
O lado errado do avesso
Mora o amor meu amado
O amor um dia travesso

Prega uma partida sacana
Ao enganar bem enganado
Vai e volta numa semana
Mas agora está amarrado

É paisagem de sensações
Perdidas no vale dos dedos
Este tão amor vende ilusões
Compradas na banca dos medos

Morrerá um dia futuro
Comigo na idade deitado
Cansado, as mágoas aturo
Este amor, o outro lado 

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Areal da praxe

Uma onda enrolada na capa
Salpica de preto o areal
De mãos sujas na cara, tapa
Lágrimas, a culpa dum ritual

Uma praxe pintada de dor
Revela história sem tradição
Na arte de fazer o doutor
Queima-se a fita, falta razão

Areal branco de curta idade
Traído ao excesso de confiança
Por mentes de tenra faculdade
Apanhados, adamastor alcança

Sentados de costas ao perigo
Arriscam tudo, a onda chegou
A roleta gira, sai amigo
O resto, tudo o mar levou

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Morte do poeta

No amanhã quando ceder
Olha para mim sem porquês
Ontem foi, deixou de ser
O agora não vendo, tu vês

Vejo o paraíso no teu olhar
Reflexo na retina minha mão
Que escreve a morte a cantar
E reza ao ego livre de religião

Não sintas, eu não sinto
O aperto no ventre da vida
Ignora o sétimo, fica o quinto
Para quebrar rotina descabida

É a morte dum bom poeta
Que jaz como mau da fita
Quis alguém, atingi a meta
Por ti morro, enrolado na xita

O teu nome

Atirei o teu nome ao ar
Na esperança que saisse coroa
Quis o destino que caísse no mar
Muito longe de Lisboa

Preso nas asas do vento
Livre na vontade de viver
Voou sobre a agua o alento
Imbuído da missão do saber

No sonho sempre balanço
Não sei para onde caír
Estendo a mão o nome alcanço
Atiro ao ar sempre a subir

Tem peso mas moderado
Caio torto, fico de pé
Acordo nu baralhado
Rabisco nome cheio de fé

domingo, 10 de novembro de 2013

A verdade de uma historia - ANA

Um dia igual a tantos outros, aborrecido, rotineiro, até que…
Uma criança, larga a mão da mãe, e dirigindo-se a mim, pergunta:
- O Sr, pode levar-me a mim e à minha mãe a casa? – a minha mãe não tem dinheiro agora, mas pode pagar outro dia? Sr. A minha mãe está muito cansada e não temos autocarro.(23H10)
- Levo-te, se me disseres o teu nome princesa.
- Ana, oiço alguém a chamar. Que estás a fazer?
- Mãe o sr. Taxista leva –nos a casa, por favor, diz que sim, estamos muito cansadas…
Vendo esta cena comovente abro a porta do carro e chamo:
- Ana, trás a tua mãe, e entra no táxi, por favor.
Os olhos da Ana brilhavam, enquanto os da mãe, estavam regados de lágrimas que tentava a todo o custo esconder.
- O sr. Já sabe como me chamo e agora quero saber como se chama o sr.
- Henrique, respondo.
- Muito prazer sr Henrique, a minha mãe é a Lucília.
Desenrola-se uma conversa difícil de classificar.
Fico a saber que o pai de Ana tinha morrido há pouco tempo e diz que é ela que toma conta da mãe, e que um dia vai ter muito dinheiro e que a mãe não terá de trabalhar mais.
Foi gratificante ver a ternura e o amor que esta criança nutre pela mãe.
No final, já á porta de casa e de semblante triste, Ana com voz quase imperceptível, diz:
- Sr Henrique a minha mãe não tem dinheiro para pagar mas prometo que assim que o trabalho dela lhe der dinheiro pagamos ao sr.
- Ana, depois de um dia de trabalho aborrecido, tu foste a melhor coisa que me aconteceu e eu não vou aceitar que pagues o táxi.
- Mas…sr Henrique, é o seu trabalho nós queremos pagar!!!
- Ana, tu nem imaginas a fortuna que acabaste de me dar, acredita. Com esse dinheiro compra um presente pra ti.
- Obrigado, Obrigado, Obrigado sr Henrique…mãe, vês, já podemos comprar iogurtes!!!
Fiquei sem reacção.
Lucília quase não teve permissão para falar, excepto para agradecer e dizer algo que me deixou ainda mais de rastos.
- Sr. Henrique, a minha filha tem leucemia…
A PORTA DO TAXI FECHOU-SE.

Ana, tu és uma lutadora, e um dia destes voltaremos a cruzarmo-nos… penso. Toda a sorte do mundo pra ti ANA.

domingo, 25 de agosto de 2013

ISABEL saudade

Saudade dos teus beijos
Do sabor do teu mel
De discutir os teus desejos
De te chamar amor, Isabel

Passeias em mim sorrindo
De totiço preso com cordel
Despreocupada cantas subindo
Às nuvens com o nome, Isabel

És boneca de pele sedosa
Como as pétalas de flor papel
Tens espinhos mas carinhosa
Guardas o nome de Isabel

Fecho os olhos vejo teu rosto
Cheio de charme e cumplicidade
Que brilha como o sol de agosto
A fazer lembrar ISABEL saudade

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Ponte do amor

Entre mim e ti, a ponte
Separa nosso orgulho ferido
Um amor que jorra da fonte
As lágrimas no leito perdido

Do quarto avisto esse rio
Onde corre o amor desfeito
Pergunto triste, se o viu
Responde mudo, sem jeito

Percebo, é o meu destino
A falar da minha justiça
Quando procuro novo inquilino
Acho uma paixão postiça

Desejo que a ponte desabe
E quebre para sempre o vazio
Para que este amor não acabe
A ponte que nos separa ruiu

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Pecado

Quando pensar é pecado
O fruto é apetecido
Imagino-o descascado
Nas noites adormecido

Talvez pecado seja mulher
Que se olha com prazer
Com olhos de bem lhe quer
E pensamento em mexer

É um pecado maldoso
Ao querer passar a mão
Pois implica ser habilidoso
Para lhe agarrar o coração

Agarrar com vontade
Em sentir o seu sabor
E ao comer com saudade
Sou apelidado de pecador

Diário

Livro fechado reserva história
Que  guardo debaixo d'almofada
É o diário da minha memória
De relatos escritos de madrugada

São frases inventadas no soalho
Duma vida rica em segredo
Escondem as estrias do orvalho
Que escorrem nos traços do enredo

É uma novela trágica sem fim
Com personagens de várias cores
Vão ensaiando o papel por mim
Enquanto curo doença d'amores

Cambaleio bêbado mas não caio
Agarro ar no momento certo
Sôfrego respiro brisa de Maio
E agora sim, livro aberto

domingo, 21 de julho de 2013

Prostituta

Corpo liberto de sentimento
Prende a alma da indiferença
Convidada a mostrar o fomento
Por patacas dá a sentença

Em fila, chave abre a porta
Sem convite, entra a servir
De tesoura nas pernas, corta
Já lá dentro, lágrima a cair

Explicita dor no peito aperta
Realidade dolorosa e crua
Deitada na cama fria aberta
Olha o tecto, sentindo-se nua

Finda a tarefa de novo ela
Sozinha no mundo da labuta
A lembrança fica na janela
Onde mostra dotes de prostituta

Comboio

O comboio serpenteia a linha
Radiante leva toda a gente
Pára aqui, acolá, cabeças à pinha
Acena fumo ao vento poente

De chinelos calções ou gravatas
Todos apanham boleia do trem
Até aqueles que são os empatas
Que reclamam quando não vem

Garotos nos barões pendurados
Sacanas, grita a dona Chica
Fogem a rir despreocupados
Quando ao fundo avistam o pica

Fofocas fazem a conversa
Das tias que comentam o alheio
Descascam na vizinha sem pressa
Encantadas pelo excelente paleio

domingo, 12 de maio de 2013

Mãe

Brotaste no ventre meu feto
Fruto de semente mãe nascida
No conforto abençoado em afecto
Vive a esperança de nova vida

És mãe protectora do fruto
Inocente nos braços do teu colo
Sou frágil como diamante bruto
Seguras-me no peito meu consolo

Oh minha mãe, como és linda
Vejo tua luz de olhos fechados
Teu amor é ouro e não finda
Mesmo nos dias mais enevoados

Tuas lágrimas são doces de sal
Que correm nos trilhos da idade
Abençoadas por amor sem igual
Guardam para sempre a mocidade

sábado, 20 de abril de 2013

Cidade

Noite é noite, pois dorme
Calma escura, cidade quieta,
Barulhenta ou não, é conforme
O tempo,  enfim, a desperta

Semblantes tristes de motivação
Lutam contra suas misérias
Despercebidas as rugas da multidão
Denotam há muito falta de férias

Noite é noite, mas acorda
Rotina dos rostos está de volta
Correria desajeitada não engorda
Ouve desabafos na boca solta

Cava os bolsos de ar, procura
Migalhas feitas de nada, encontra
Lucidez mimada e sóbria atura
Cidade à beira mar como montra

Canção

Sentado, escrevo esta canção
Ritmada ao compasso da palma
Acompanhada nas cordas do violão
Pela palheta suja, louca d'alma

Notas desconsertadas em poema
Compõe dominó de pedras gastas
Alinhadas na ordem do tema
Rubricam autor de palavras castas

Receio vocábulos, significado vadio
Cantadas na boca d'algum calão
Deixadas na água, evaporam no rio
Nascem novas enquanto canção

Juntas, musica compõe melodia
De letra culta, tenra de infância
A idade é curta parece sinfonia
Assinada com o cheiro a frangância

quarta-feira, 21 de março de 2012

Acordo

Cómico de gaguês acorda acordo
De honra suposto irmão parceiro
Defender dialecto comum a bordo
Duma nau encalhada no caneiro

O ilustre ilustrado de sabedoria
Rege regras segundo seu intento
Ignora história d'anos de mestria
E orienta vela para o seu vento

De facto o fato d'ilustre figura
Amarrotado na essência d'objectivo
Encobre na mão suja, assinatura
Que aprisiona talento do fugitivo

Cadeado segura liberdade d'escrever
Autos separados pelo fosso d'oceano
Tenta palavras centenárias a morrer
Revolta despeja acordo pelo cano

quinta-feira, 15 de março de 2012

Ideia Simples

Simples, é simples de conceito
Palavra de significado tardio
Remete teor, pinta proveito
Mosaico sentado ao desvario

Mão estendida, empresta gesto
De caridade simples de abono
Homenagem em silêncio, presto
Folhas nuas despidas de outono

Doloroso espasmo de respiração
Dá vida morna, quase dança
Cor é vádia, aposta emoção
Passo simples, faz a trança

Enlaça redondo, dedo no cordel
Prende lição escrita, na areia
Quadro desfaz, tinta de pastel
De tão simples grão, ignora ideia

sábado, 3 de março de 2012

Olhos nos Olhos

Eu,
Olhos nos Olhos
É medo
Olhos nos Olhos
É coragem
Olhos nos Olhos
É segredo
Olhos nos Olhos
É mensagem

Tu, Eu
Olhos nos Olhos
É descobrir
Olhos nos Olhos
É partilhar
Olhos nos Olhos
É sentir
Olhos nos Olhos
É abraçar

Eu, Tu
Olhos nos Olhos
É desejo
Olhos nos Olhos
É emoção
Olhos nos Olhos
É beijo
Olhos nos Olhos
É paixão

Tu,
Olhos nos Olhos
É amargura
Olhos nos Olhos
É querer
Olhos nos Olhos
É ternura
Olhos nos Olhos
É viver

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

O tambor

O batuque do tambor
Dá ritmo a pés atrevidos
Que dançam ao sabor
Da farra quando bebidos

Do campo à cidade
Não importa a origem
O tambor é saudade
Floresta ainda virgem

O cheiro da terra
Confunde-se com mar
Com aragem da serra
O tambor a batucar

Cores do horizonte
De agradável odor
Levam para o monte
Os sons do tambor

Nostalgia

Noite ausente
Vaga mente
Conto sinto
Sentimento minto
Ciúme saudade
Desejo liberdade
Procuro caminho
Encontro ninho
Durmo só
Solidão dó
Tristeza dura
Escuridão pura
Espirito capaz
Luto paz
Amo amor
Acendo calor
Apago chama
Deito cama
Acordo penso
Bom senso
Hoje dia
Morro nostalgia

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Adeus à Tradição

Olho, noite fria e cálida
Sinto, chuva cheiro terra
Vejo, rosto de cor pálida
Corro, trilhos longo da serra

Acredito, vida minha amada
Vivo, emoções aos beijos
Sonho, fina voz delicada
Ouço, murmurar dos desejos

Escrevo, versos ao calha
Canto, poema de tristeza
Choro, alegrias da canalha
Abraço, encantos natureza

Amo, vazio sono saudável
Ignoro, boémia da escuridão
Bebo, gotas orvalho potável
Morro, Adeus à tradição