sábado, 20 de abril de 2013

Cidade

Noite é noite, pois dorme
Calma escura, cidade quieta,
Barulhenta ou não, é conforme
O tempo,  enfim, a desperta

Semblantes tristes de motivação
Lutam contra suas misérias
Despercebidas as rugas da multidão
Denotam há muito falta de férias

Noite é noite, mas acorda
Rotina dos rostos está de volta
Correria desajeitada não engorda
Ouve desabafos na boca solta

Cava os bolsos de ar, procura
Migalhas feitas de nada, encontra
Lucidez mimada e sóbria atura
Cidade à beira mar como montra

Canção

Sentado, escrevo esta canção
Ritmada ao compasso da palma
Acompanhada nas cordas do violão
Pela palheta suja, louca d'alma

Notas desconsertadas em poema
Compõe dominó de pedras gastas
Alinhadas na ordem do tema
Rubricam autor de palavras castas

Receio vocábulos, significado vadio
Cantadas na boca d'algum calão
Deixadas na água, evaporam no rio
Nascem novas enquanto canção

Juntas, musica compõe melodia
De letra culta, tenra de infância
A idade é curta parece sinfonia
Assinada com o cheiro a frangância